Matinês no Cine Paraíso
Durante as décadas de 50 e 60, uma das maiores diversões no subúrbio de Bonsucesso, eram as matinês do Cinema Paraíso. localizado na Praça das Nações, quase esquina com a Avenida Paris, fazia a alegria dos moradores, desde 1929.
Aliás, Bonsucesso era bem chique! Pensem em um bairro do subúrbio carioca, onde caminhávamos em Paris, logo em seguida podíamos ir à Londres, Nova York ou Bruxelas, que tal?
Ah, anos 50!!... A maioria das pessoas ainda não possuía aparelhos de TV, afinal, eram caras, e compradas à vista; nada de crediário a perder de vista, ou cartões de crédito. Queria comprar? Dindin na mão, ou nada!
É nesse cenário que entra a importância, não somente do Paraíso, mas de tantos outros cinemas, espalhados pelos bairros adjacentes. Aliás, cada um fazia questão de ser o predileto das redondezas.
Nesse cenário suburbano e ainda interiorano, passei minha infância e juventude.
Enquanto eu era criança, "A Vida de Cristo", era o must da Semana Santa, e minha mãe, todo ano, nos levava para assistir. Eu, particularmente, não gostava nem um pouco daquele suplício, e aprontava o maior escândalo dentro do cinema, fazendo com que minha mãe se retirasse, para não incomodar as pessoas, que já olhavam pra ela, com cara de poucos amigos!!
Eu chorava e gritava, querendo saber, por que faziam isso com Ele? Ele é tão bom!...Daí para o choro, era uma curta distância...Eu sofria e não queria ver nada daquilo. Conclusão, nunca mais, mamãe me levou, ufa!(até hoje, não assisto).
No final dos anos 50, eu, criança ainda, era fã de Elvis Presley; então nada mais natural, que assistir no início dos anos 60, os filmes dele, nas matinês do Cine Paraíso, acompanhada pela querida tia Aida,
Porém, em 1964, surgiu um grupo que invadiu meu coração volúvel, Os Beatles. Rapidamente, troquei de amor; e, com a empolgação própria de uma adolescente, assisti, junto com a minha prima Cida, outra apaixonada pelo grupo de Liverpool, "Os Reis do Iê, Iê,Iê" . No ano seguinte, eu e Cida, entramos na primeira sessão da matinê, para assistir, "Help", e só saímos na última. Sabíamos de cor, tudo o que eles faziam no filme...(adolescer...)
Como todos os adolescentes, eu e minhas primas, começamos a escolher outros cinemas, em outros bairros, como Higienópolis, Ramos, Olaria e Penha. Lógico, que, com a devida autorização das mães. Queríamos admirar a elegância dos rapazes, que chegavam ao cinema de terno e gravata, e também, copiar os modelitos das outras garotas. Aliás, todos íamos muito bem arrumados, perfumados. As meninas, cabelos desfiados e cheios de laquê... E assim, aconteciam, as trocas de olhares, sorrisos tímidos, e depois, os comentários entre nós.
Mas, como o tempo não para, aqueles momentos também ficaram pra trás, com a chegada e acesso maior aos aparelhos de TV.
A adolescência, cheia de si, dizia adeus, às suas inconstâncias e sensação de poder, para conhecer uma nova visão de mundo, com a chegada da "maioridade". Hora de escolher caminhos e direções na vida...
Claro que íamos ao cinema, mas o sabor, havia mudado, não para pior, mas porque a vida não para, e cada dia traz por si, um sabor diferente.
Lembrar, faz bem, mas saborear cada dia, é bem melhor!





Lindo texto, lindas memórias! Amo ouvir a senhora contando as histórias da sua juventude. Sinto que me transporto junto. Te amo! Siga escrevendo essas histórias belíssimas. Um dia, publico seu livro contando todas elas!
ResponderExcluirObrigada, netinha querida
ExcluirAdoro ver as roupas, uma viagem no tempo...realmente é maravilhoso.bjos Cida
ResponderExcluirQue bom, que vocês gostaram.
ResponderExcluirObrigada!