O Sapato Verde
Corria
o ano de 1961, e eu orgulhosa completava 10 anos, da minha
ainda curta caminhada.
Naquela época, uma família pobre não permitia a seus filhos(pelo menos os meus pais),escolhas disso ou daquilo; era simplesmente assim... os pais decidiam sobre tudo. Minha mãe escolhia os tecidos e fazia as roupas, os calçados deveriam ser pretos, brancos ou marrons, afinal,eles tinham que combinar com as poucas roupas no armário(algumas também herdadas dos primos).
Naquela época, uma família pobre não permitia a seus filhos(pelo menos os meus pais),escolhas disso ou daquilo; era simplesmente assim... os pais decidiam sobre tudo. Minha mãe escolhia os tecidos e fazia as roupas, os calçados deveriam ser pretos, brancos ou marrons, afinal,eles tinham que combinar com as poucas roupas no armário(algumas também herdadas dos primos).
Mas,
nesse dia especial, minha tia Celeste,irmã do meu pai, decidiu
inovar e revolucionar aquele modo tão sério de educar...Resolveu me
levar em uma sapataria lá do Rio Comprido, para que eu mesma
escolhesse meu sapato.Como assim? Como seria isso, se eu nunca havia
escolhido sequer um brinquedo? Lá fomos nós de bonde em uma
aventura épica...Sim, porque a viagem de Bonsucesso ao Rio Comprido
de bonde era longa e com baldeações.
Enfim,chegamos...
Tagarelando com minha tia(sim, ela adorava tagarelar), ela disse que eu poderia escolher o que quisesse,quando chegasse na loja.
Uau!Fiquei muda, olhando assustada as vitrines, lotadas de lindos e variados sapatos...Tempo passando e minha tia,sem pressa alguma, sequer me dava uma dica que eu, com os olhos, implorava.
Ufa! Finalmente tomei a decisão, e escolhi o sapato mais bonito que já tinha visto, um Mocassim VERDE BANDEIRA.
Tagarelando com minha tia(sim, ela adorava tagarelar), ela disse que eu poderia escolher o que quisesse,quando chegasse na loja.
Uau!Fiquei muda, olhando assustada as vitrines, lotadas de lindos e variados sapatos...Tempo passando e minha tia,sem pressa alguma, sequer me dava uma dica que eu, com os olhos, implorava.
Ufa! Finalmente tomei a decisão, e escolhi o sapato mais bonito que já tinha visto, um Mocassim VERDE BANDEIRA.
Sem
qualquer tipo de espanto ou de tentar me fazer desistir da escolha,
ela perguntou se eu queria ir calçada com ele para casa.Claro!
E
lá fui eu,toda maravilhosa, no meu sapato verde. Pensando, talvez quem
sabe, não o tirasse mais do pé.
Mas,
quando chegamos em casa...(snif) ,minha mãe ficou horrorizada,
dizendo que eu parecia um grilo ou gafanhoto, com aqueles sapatos.
Ela
ainda repreendeu minha tia, que havia deixado eu cometer tamanha
barbaridade.
Mas, minha tia,muito bom tê-las, nem ligou.
Porém,eu, nunca mais calcei, o querido sapato verde.
Mas, minha tia,muito bom tê-las, nem ligou.
Porém,eu, nunca mais calcei, o querido sapato verde.
Passei
a vida sem sapatos coloridos...
Quem sabe, agora, eu saia desfilando com um mocassim verde bandeira, e me sinta ótima!
Tia Celeste (irmã do meu pai)
Quem sabe, agora, eu saia desfilando com um mocassim verde bandeira, e me sinta ótima!
Tia Celeste (irmã do meu pai)
Texto- Sonia Afonso Costa


Que estória mais gostosa de se ler e cheia de significados ... sim, precisamos de sonhos e tentar concretiza-los ... lembrei do seu chápeu lilás, lembra?
ResponderExcluirMuitos bjs e obrigada por compartilhar essas lembranças ... Ah, muitos bjs pra tia Celeste tb! Bjssss
Sim,Fernanda ainda vou comprar o chapéu lilás e sair por aí.
ResponderExcluirBeijinhos
Terrível como apenas um comentário pode minar toda a nossa euforia sobre algo que, às vezes, aos olhos de outras pessoas, pode parecer banal, mas que para nós representa um completo estado de felicidade. Mesmo assim, linda lembrança! Tia Celeste parece ter sido uma pessoa muito divertida e singular! Abraços
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