"Se essa rua, se essa rua fosse minha..."
Era
uma rua como tantas outras do subúrbio do Rio, onde pessoas simples
residiam. A casa era bem antiga, com duas janelas fronteiriças,
tinha como limites nos quatro lados, cercas-vivas de papoulas e um
quintal muito grande para se treinar a meninice. Ao se abrir o
portão, um jardim dava as boas vindas cheio de rosas de cores
sortidas; a rua sem calçamento servia de passarela não somente de
pessoas, mas democraticamente abria seu espaço para boiadas,
cachorros vira-latas e toda a sorte de animais criados na
vizinhança.
A casa não possuía água da rua e por isso
diariamente ao amanhecer, meu pai enchia a caixa com a água do poço
que havia no quintal para em seguida sair apressado em direção à
estação para pegar o trem em direção a Zona Sul onde
trabalhava.
Minha mãe por sua vez, além das tarefas do lar,
costurava roupas com as quais nos vestia economizando assim o
dinheiro da costureira, nós ficávamos tão lindos!
Assim
passavam-se os dias, não sem problemas, porque eles sempre existiram
e existirão na vida de todos nós, mas com um amor tão verdadeiro,
tão palpável, que era ele quem fazia a beleza da minha infância.
Ao anoitecer chegava o chefe de família trazendo em sua maleta de
trabalhador, restos de azulejos que os engenheiros doavam para tão
dedicado operário; com essas sobras de grandes obras, meu pai fez
uma cozinha toda azulejada para homenagear sua eterna amada. Dia após
dia, após o jantar, ele se punha a reformar sua própria casa; mamãe
ficava ao seu lado, fazia café, e ele então tal qual Sílvio Caldas
cantava para ela.
Tantos
anos se passaram, mas o amor ficou como testemunha dessa história.
Há pessoas que acham que é saudosismo, que o importante é o
hoje, mas o que essas pessoas esquecem é que o hoje é reflexo do
ontem. Ficar paralisada no passado é ruim, mas não voltar lá para
espiar um pouco do que foi bom e alegre também é.
Hoje,
partilho com vocês a felicidade que sempre tive com minha família e
agradeço a Deus por ter abençoado meus dias com a presença desses
dois espíritos lindos que foram meus pais.
Sonia A. Costa
Imagens - Arquivo de Sonia Afonso
meu coração pulsou de saudades e meus olhos ficaram marejados por gratidão a Deus por me permitir voltar nesta família. Jaime
ResponderExcluirEu também agradeço por isso.
ExcluirBeijão
ESPIAR O PASSADO É NOS ALIMENTARMOS DE ESSÊNCIAS PERFUMADAS DA PUREZA DO OLHAR E DA DOÇURA DO SORRISO, QUE ALICERÇAM POSTURAS DIGNAS E PRODUTIVAS PARA A VIDA DOS QUE NOS RODEIAM.
ResponderExcluirOBRIGADO POR COMPARTILHAR TANTOS TESOUROS.
BEIJOS DE LUZ, AMADA MINHA.