Um Só Momento
Fiquei ali parada ainda alimentando doces
esperanças de vida, quando meus olhos e minha alma se embriagaram com aquela
paisagem. Um campo salpicado de flores silvestres, contrastava com os troncos
brancos das bétulas, cujas folhas amarelo-dourado formavam um tapete onde se
podia deitar e esticar a preguiça fiel comparsa daquele ambiente. Precisava
daquele encontro, um só momento de reflexão faria bem à minha alma ansiosa, então
me estiquei sobre a relva e com as mãos sob a nuca apreciei as gotas de água, que brincando de cair, refletiam como diamantes o brilho amarelado do sol
de outono recém chegado após a chuva.
Tudo ali era uma sinfonia maravilhosa, exceto a nota dissonante que partia
do meu coração descompassado sob o comando da desilusão amorosa. Permaneci por um tempo nesse estado que só quem é ferido no mais profundo
da alma conhece, então respirei fundo, levantei, arrumei os cabelos e as roupas,exatamente a parte de mim que podia ser vista, porque o que estava oculto não
poderia ser ajeitado assim de um momento para outro e o fiz ainda sob o jugo da dor, me sentia como se estivesse arrastando
correntes invisíveis e tive o ímpeto
de me deixar ficar ali para sempre, ou quem sabe, até refazer o que havia se
partido, mas não podia fugir, viver requer atitudes e eu precisava tomar uma.
Estava ainda meio abatida, porém mais lúcida e poderia de cabeça fria, pensar melhor no rumo que a
partir dali tomaria em minha vida; sabia muito bem que nada seria tão simples
assim, como um estalar de dedos, mas segui resoluta, mesmo que levasse anos,
buscaria o meu eu perdido no tempo. Afinal, decisões de rumos na vida sejam sentimentais ou
não, precisam de espaço para serem pensadas e amadurecidas, mas deixar pra lá,
também não resolve, só prolonga a dor e a angústia.
Anos se passaram desde esses acontecimentos
marcantes da minha vida e hoje, olhando para trás, percebo que o sofrimento não
é de maneira nenhuma parte do amor, quem ama cuida e se importa, quem ama não
ignora , nem maltrata.
Não se sofre por amor como nos poemas, na realidade se sofre pelo distanciamento do amor e a presença excessiva do ego.
Não se sofre por amor como nos poemas, na realidade se sofre pelo distanciamento do amor e a presença excessiva do ego.
Deixo para vocês um presente
Memória, de Carlos Drummond de Andrade
”Amar
o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se
insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas
findas,
muito mais que
lindas,essas ficarão.”
Texto: Sonia A. Costa


PODER ACOMPANHAR A CENA EM MINHAS SENSAÇÕES
ResponderExcluirE DEGUSTAR PALAVRAS TÃO PRÓPRIAS
DE NOSSAS PASSAGENS HUMANAS SEMELHANTES
É ALGO DIVINO NA LEITURA DOS TEUS TEXTOS.
OBRIGADO POR COMPARTILHAR TÃO PARTICULAR SENTIMENTO,
QUE A TODOS ACOMPANHA, ENTALADO NA GARGANTA
DE QUEM NÃO TEM FORÇAS PARA GRITAR.
A TUA FALA É O RETRATO DO QUE INEXPLICAVELMENTE SENTIMOS...
BEIJOS DE LUZ!!!
Verbalizar nossos sentimentos não é realmente uma tarefa fácil, é necessário que possamos aprender a vê-los claramente em nós.
ExcluirBeijos de luz para você também