Correndo Contra o Tempo

Conversando com uma amiga, falamos da corrida dos ponteiros do relógio e de como fazemos menos coisas do que talvez há 40 ou 50 anos...
Fiquei pensando a respeito...Cheguei à conclusão que essa sensação, está mais na quantidade de informações que recebemos seguidamente, da quantidade de coisas que nos propomos a fazer, da temporalidade descartável de tudo, do que propriamente do movimento da Terra ter aumentado. A vida perdeu a simplicidade, todos  tem que correr, não para “ser”, mas para “ter”.
As crianças e jovens, tem que dar conta de mil coisas, vivem estressados, conectados, sentados  quase o dia todo; seus pais normalmente, correndo lá fora, para “dar o melhor” a eles, também voam atrás do tempo que foge ligeiro.
Ufa! Cansei!
A sensação, é de estarmos dentro de um trem vendo vendo  paisagens passarem voando, sem conseguirmos sequer, saborear os detalhes. 
Esse excesso de correria nos dá a impressão, de não termos tempo para mais nada.
Mas por que nós aposentados sentimos isso também? 
Porque ao chegarmos a essa etapa de nossas vidas, percebemos o quanto de nosso tempo foi utilizado nesse mesmo trem bala, sem termos notado.  Agora que descemos na estação e o tempo diário começa a sobrar, temos dificuldade em administrar  as tarefas e o ócio. 
Mas,  como não é possível entrar na máquina do tempo e retornar, vivamos o agora, este segundo, fazendo coisas boas, para nós e para os outros. 
Existem coisas a serem feitas sem ansiedade, não importa mais se vai dar tempo, porque isso, nós já experimentamos, no auge de nossa vitalidade.
Então, nesse compasso, a cada passo, vejo como tenho tempo para tudo; as exigências ficaram para trás, procuro degustar o dia como uma iguaria fina e maravilhosa, devagar, apreciando cada detalhe; fazer coisas que me agradem, como caminhar, ler, conversar, escrever, sentar e apreciar  a vida, sem me importar tanto com os ponteiros do relógio.




PS: Nada disso é fácil de ser feito após tantos anos de correria, mas não é impossível, é treinamento...
Permita-se! 

Texto: Sonia A. Costa
Imagem Web


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