Lembranças do Subúrbio Carioca
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| Casa da vó Albertina (a terceira, da esquerda p/direita) |
Assistindo um ator falar sobre pesquisas feitas no subúrbio, para representar fielmente, um de seus moradores, me fez passear em lembranças da infância, em minha vida de suburbana desde o nascimento, fez meu pensamento viajar e, naquele momento, não mais ouvi o que ele falava, pois o passado havia me convidado para uma visita... E eu, naturalmente, fui!
Ao nosso dispor, grandes quintais com quaradouros, onde, roupas ao sol eram regadas como flores, enxaguadas em tanques que pareciam piscinas, e penduradas em grandes varais, suspensos por enormes bambus. Então, elas, limpinhas e coloridas, ficavam lá do alto, balançando suas formosuras e perfumes ao vento.
Além de quarar roupas, os quintais eram cheios de árvores
frutíferas, onde eu, meu irmão, primos e amigos, subíamos e, simplesmente sentados em seus enormes galhos, saboreávamos seus deliciosos frutos.
Em outros momentos, ficávamos apenas, nos divertindo em
balanços de cordas grossas, feitos com capricho por meu pai; depois do trabalho caprichado dele, só nos restava simplesmente, a tarefa de imaginar que podíamos voar... e assim voávamos... em risos, misturados aos gritos, do frio na barriga.
Embora
tendo muito espaço, magia de brincadeiras, na verdadeira floresta
particular, a gurizada gostava mesmo, era das brincadeiras na rua, após as lições da escola
terem sido feitas.
Corríamos nos piques, na barra-manteiga, mas
também ficávamos sentados, passando anel ou girando nas cantigas de
roda.
Não havia medo de assalto, sequestro de crianças por parte dos pais, porque todos na vizinhança tomavam conta de todos, como numa aldeia.
Eu morava em Bonsucesso, na Rua Aguiar Moreira, próximo a Capela de N.S. de Bonsucesso, que ficava no alto da ladeira, na Rua Júlio Maria.
Eu morava em Bonsucesso, na Rua Aguiar Moreira, próximo a Capela de N.S. de Bonsucesso, que ficava no alto da ladeira, na Rua Júlio Maria.
Nas festas, havia quermesses, balanços em forma de barquinho que dava frio na barriga, de tão alto que ía . O Padre João, era muito
bravo, usava batina preta, um chapéu preto de abas largas, e sempre carregava, um
guarda-chuva pendurado no braço; assim que era visto, as
crianças em bando, corriam para tomar-lhe a bênção, não
importando a religião professada por seus pais. O que importava era estarmos todos juntos para sermos abençoados pela alegria de viver, e poder assim, correr para os enormes pés de tamarindo, que fronteiriços à
igreja nos serviam de balanços para roubar dos galhos, os saborosos
frutos que iam ao chão com muitos sacolejos e depois, colocados nas blusas, que serviam de sacolas. Com a farta colheita, seguíamos direto para casa, entregávamos a colheita para nossas mães, já salivando e sentindo o sabor do delicioso refresco de tamarindo.
Mas é claro que nem tudo era fácil, pois tínhamos as
fofoqueiras de plantão, que sempre a postos em suas janelas, davam
rapidamente com a língua nos dentes, ao ver alguma travessura; sabíamos então seguramente, que algum chinelo nos esperava à porta
de casa.
E
assim, passou-se o tempo desde que voltei de Rocha Miranda aos cinco
anos. Essa rua me viu crescer, e também viu, o dia em que de lá saí
vestida de noiva, em direção à minha nova história.







TAL QUAL UM FILME E A POSSIBILIDADE DE ASSISTIR A UM CURTA METRAGEM TÃO INFINITO EM SUAS PALAVRAS, QUE POSSO ME PERDER COM A SAUDADE DO QUE NÃO VIVI, TENDO RECEBIDO DA VIDA UMA EXISTÊNCIA TÃO URBANA.... OBRIGADO POR ME FAZER SENTIR O CHEIRO E O GOSTO DO QUE TE TROUXE FELICIDADE, E QUE TAMBÉM A MIM CAUSA TANTA LEVEZA DE ESPÍRITO.
ResponderExcluirVoltar ao passado, ao cheiro e prazeres da minha infância é muito bom, não fico triste pelo que passou, ao contrário, fico mais feliz porque pude viver isso
ExcluirObrigada Will, pelo carinho de sua visita e comentário
ExcluirLER-TE É EXPERIMENTAR O LIRISMO QUE A HUMANIDADE ANDA PERDENDO. A GRATIDÃO É MINHA, ACREDITE. BEIJOS DE LUZ, SEMPRE!!!!
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