"Cafeto"
Responderei
sem pressa,pois o tempo de correr passou.
Quero saborear cada
instante, porque foi assim que o "cafeto" surgiu.
Sentávamos
quase todas as tardes, um amigo querido e eu, para trocar ideias, nada
pré definido; as palavras saíam sem qualquer inibição, as vezes
saíam irritadas causando um reboliço qualquer, mas logo se aquietavam sendo substituídas por palavras mais leves, alegres e afetuosas. Muitas
chegavam metidas a filósofas... ficavam desfilando seu ar de
superioridade, fazendo interferências a todo instante. E o que achar
das políticas? Ah, essas eram terríveis! Empolgadas e cheias de
si por se acharem únicas. Muitas até militavam em alguns setores,
mas mesmo assim eram contidas, e a contragosto ficavam apreciando, mas doidas a dar uns pitacos, vez ou outra... Porque palavras políticas
são falantes, detestam escutar...
Nesse
clima de palavras misturadas, meu amigo, sem cerimônia, pois entre amigos ela fica do lado de fora, indagou se eu faria um "cafeto" para acompanhar as palavras na conversa.
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Se soubesse do que se trata, disse eu, faria com prazer...
Com
sua rica imaginação, disse de maneira carinhosa, que era o tipo de café que diariamente
bebíamos: Café com afeto..."Cafeto".
Ri
muito, mas entendi sua profunda filosofia: Encontros com amigos e
“cafeto” fumegante, são maravilhosos e inesquecíveis... não
são um simples café com palavras, são momentos onde o ingrediente
mais importante, é o afeto que sentimos uns pelos outros, sem isso,
tudo se resume a palavras que somem no vento..
Segundo
Lin Yutang , filósofo chinês ( 1895- 1976), essa é a condição
necessária para uma boa conversa ( do livro A Importância de Viver
– 1937)
“ Ante
meus olhos há amigos que conhecem meu coração.
E
ao meu lado ninguém que me fira os olhos.”
...
“E como não importa do que falamos, a conversação irá derivando
cada vez mais longe, sem ordem nem método, e os amigos se irão
quando tudo termine, com o coração feliz”
Texto: Sonia A . Costa
Imagem: Web


Às vezes queimo a língua, outras vezes saboreio o "cafeto", desde o momento elegante de sua feitura, quando a água está a ferver e mãos delicadas alimentam matematicamente o pó no coador.
ResponderExcluirE vou somando as colheradas, diminuindo os minutos, ansioso para que a água ferva e eu possa aprender o real sentido da beleza de ser pleno em uma amizade.
Uma amizade que inspira novas palavras repletas de vida, repletas de amplitude infinita, que só um bom sabor de verdade pode conduzir a um diálogo.
Obrigado por me instigar a encontrar o "cafeto", já tão nosso, e que também pode ser de quem mais desejar.
Beijos de luz, sempre!!!
Adoro nossas conversas e o que tenho aprendido com você.
ResponderExcluirBeijos
Ahhhhh esse cafezinho é mesmo muito especial. Já tive o imenso prazer de participar dele. E hoje, embora distante fisicamente... apenas fisicamente....posso recordar e reviver aqueles papos gostosos...me faz lembrar tbm as tardes da minha infância, tbm menos apressadas, quando todos os dias às quatro da tarde íamos buscar um pão quentinho enquanto minha avó ou minha māe faziam o tal cafezinho da tarde...sagrado...em todos os sentidos.
ResponderExcluirBom viver tudo isso.
Muito boa essa denominação: Cafeto... Will, vc certou em cheio .... bons cafetos... bjsssss
P.S. estou amando o seu blog .... muitos Bjssssssssss
Acho mesmo que o café da tarde faz parte da memória de muitas pessoas que conseguiram viver num tempo com menos pressa.
ExcluirObrigada Fernanda